“High interest rates are poison”: private credit becomes a refuge and Oliveira Trust hits record high.*
Plataforma de serviços fiduciários teve alta anual de 27,5% no lucro líquido, para CEO, Selic alta pode causar onda de falências
Por Leonardo Guimarães – Infomoney – Onde Investir
13/03/2026

(Divulgação)
O patamar restritivo da taxa Selic transformou a dinâmica financeira das empresas brasileiras. Em vez de captar recursos para financiar a expansão dos negócios, o foco atual do setor corporativo é a sobrevivência. A avaliação é de José Alexandre Freitas, sócio e CEO da Oliveira Trust, que enxerga o atual momento do mercado de capitais mais como um refúgio do que como uma alavanca de investimentos.
Com a Selic na casa dos 15% ao ano, o custo do dinheiro para as empresas — somando a taxa básica ao spread exigido pelos investidores — chega a 20% ou 22% ao ano. “Que tipo de investimento o empresário vai fazer na companhia dele que vai conseguir ter esse retorno? É muito difícil”, questiona o executivo da plataforma de serviços fiduciários.
Para Freitas, a migração em massa para o crédito privado tem um objetivo claro. “O cenário atual é mais de salvar o empresário de taxas muito mais altas que ele estava tomando no mercado tradicional. A ideia é diminuir o limite bancário e ter um veículo off balance (fora do balanço). Serve para alongar o perfil de dívida e tirar a corda do pescoço”, crava o CEO.
“Juro alto é um veneno”
Apesar do elevado custo de capital, o risco de inadimplência corporativa tem se mostrado sob controle na maior parte da economia. Segundo o executivo, a curva de inadimplência se manteve estável no último ano e meio, com o agronegócio, porém, como exceção. Impactado por quebras de safra, o setor concentra a maior parte dos pedidos de Recuperação Judicia e renegociações atuais. Nos demais setores, as empresas têm conseguido rolar suas dívidas sem provocar quebras generalizadas
No entanto, o fôlego das companhias tem limite. “O juro alto é um veneno. Se a gente não tiver, de fato, essa redução gradativa ao longo desse ano, esse nosso bate-papo daqui a um ano pode ser diferente. A gente pode estar falando: caramba, quantas empresas pediram RJ. O juro para o empresário tem que cair”, adverte o CEO da Oliveira Trust. A projeção de Freitas é que a Selic encerre 2026 em 13,5% — um patamar ainda alto, mas que já representaria “um alívio considerável” ao mercado.
Enquanto os juros não cedem, o crédito bancário tradicional segue restrito. O CEO explica que os bancos, com liquidez empoçada, preferem a segurança e a rentabilidade do risco soberano (títulos públicos). Como consequência, as empresas recorrem ao mercado de capitais, impulsionando a emissão de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) e, principalmente, Notas Comerciais, que ganharam forte tração por serem isentas de IOF e possuírem um rito de emissão ágil.
Segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), os FIDCs tiveram captação recorde de R$ 90,8 bilhões em 2025, enquanto as Notas Comerciais cresceram 18,9% ao captarem R$ 51,8 bilhões.
Recorde no crédito privado e na Oliveira Trust
Foi absorvendo essa massa de empresas que fugiram dos bancos que o mercado de capitais brasileiro bateu seu recorde histórico em 2025, atingindo R$ 838,8 bilhões em ofertas públicas. Surfando essa onda, a Oliveira Trust reportou forte crescimento.
A companhia registrou um lucro líquido recorde de R$ 40,8 milhões no quarto trimestre de 2025 – alta de 48,4% em relação ao 4T24 – e viu seu volume de escrituração saltar 37%, chegando a R$ 622 bilhões. Com isso, a empresa encerrou o último trimestre do mantendo participação de 38% nas novas operações do mercado.
O resultado do último trimestre foi impulsionado por um movimento atípico, classificado pelo CEO como um “falso dezembro” ocorrido em setembro. Naquele mês, as empresas corriam para emitir títulos antes do fim da isenção em títulos incentivados, o que acabou não se concretizando. O avanço de 58,5% em debêntures de securitização e a marca de mais de mil operações de FIDCs no ano ilustram a consolidação dessa migração corporativa.
Para Freitas, o segredo para dar vazão a esse volume sem perder eficiência foi a tecnologia. Com fortes investimentos realizados nos últimos cinco anos, a empresa aboliu processos manuais e implementou mais de 300 robôs e um sistema proprietário de processamento de recebíveis.
“Nosso número de funcionários cresceu 10% enquanto o lucro subiu 27,5% no ano. O ganho de margem vem justamente do investimento que fizemos em tecnologia”, comenta Freitas. Hoje, a empresa utiliza iInteligência artificial para cruzar dados contábeis e emitir alertas precoces de risco sobre as carteiras, antecipando eventos de estresse nas empresas que captaram recursos. Com o orçamento de tecnologia já garantido para os próximos três anos, o plano da Oliveira Trust é claro: manter as taxas de crescimento acima de 20% ao ano.