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Laqus e Oliveira Trust se unem para atuar no segmento de notas comerciais

Valor Econômico | Fevereiro de 2022

A fintech Laqus e a Oliveira Trust fizeram uma parceria operacional voltada para o mercado de notas comerciais, ainda incipiente no Brasil. A ideia é atrair operações e volumes menores e ter ganhos de escala. A primeira operação, de R$ 1,3 milhão, foi emitida por meio de oferta privada e usa a Laqus como depositária central e a Oliveira Trust como escrituradora.

Uma segunda oferta, de R$ 800 mil, deve ser fechada por meio da parceria nos próximos dias. A Laqus enxerga um potencial para depositar de R$ 5 bilhões a R$ 7bilhões em notas comerciais em 2022. Esses títulos ganharam uma nova regulação em agosto do ano passado. Ficou determinado que a emissão deverá acontecer exclusivamente sob a forma escritural, por meio do serviço de instituições autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Com as novas regras, deixou de ser necessária a formalização do título físico, propiciando redução de tempo, custo e riscos às operações.

Nesse tipo de operação, empresta-se dinheiro diretamente para uma empresa expandir seu capital de giro.

No caso da nota comercial, a tomada de recursos é isenta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O fundador e presidente da Laqus, Rodrigo Amato, acredita que as notas comerciais tem potencial para em certa medida substituir as cédulas de crédito bancário (CCB) -que têm incidência de IOF. Por outro lado, as emissões de debêntures não têm cobrança do imposto, mas não emplacam operações de menor porte. “Os custos fixos de uma emissão do mercado de capitais costumam inviabilizar operações pequenas.

Conseguimos padronizar a maior parte do processo e nos livrarmos de custos fixos. E utilizamos custos variáveis, correspondentes a percentuais da emissão”, explica.

Como a parceria viabiliza a emissão de notas comerciais em volumes menores e quantidades maiores, a intenção é que novas empresas acessem o mercado decapitais. “O processo de emissão tem que ser simples e por isso a parceria tem potencial para ocupar o espaço no mercado”, afirma Amato. E, à medida que ficarem conhecidas pelos fundos de investimento, bancos e outros investidores, poderão futuramente emitir debêntures, certificados de recebíveis do agronegócio ou imobiliário (CRA e CRI) e eventualmente fazer até mesmo ofertas públicas iniciais de ações (IPO), acrescenta.

A Oliveira Trust mira novos participantes do mercado e tem investido em tecnologia para atender entrantes no segmento e novas operações, diz o sócio-diretor da empresa, Alexandre Lodi Oliveira. Segundo ele, considerando o mercado como um todo, pelo menos duas instituições esperam fazer 200 operações em 2022 – não necessariamente todas ficariam sob o escopo da parceria. “A tendência é que os bancos utilizem muito a ferramenta e vão precisar ter os ativos depositados obrigatoriamente. E muitos deles encarteiram o ativo.

Na Laqus, a liquidez vai acontecer naturalmente com o volume de novos depósitos na plataforma.” A Oliveira Trust adiou o IPO no ano passado, mas espera realizar a operação ainda em 2022. Em janeiro, a empresa anunciou a compra de 10% da plataforma detokenização LIQI. “Olhamos para onde o mercado evolui. É um grande objetivo nosso estarmos prontos a atender as demandas.”